“As dividas são problema do hospital, até a Santa Casa fechar. Porque se fechar, passa a ser problema de todo mundo”. A frase do diretor de Negócios e Relações Institucionais da Santa Casa de Campo Grande, João Carlos Marchezan, foi dita em reunião do Conselho Municipal de Saúde e acende alerta para a crise interminável que o maior hospital de Mato Grosso do Sul vive .
Nos primeiros dias de setembro, a Santa Casa informou que por falta de funcionários, estava suspendendo o serviço de cirurgia cardíaca pediátrica. A situação gerou série de repercussões e cobrança de autoridades por atitudes que foquem no atendimento à população.
Em meio a crise, o Conselho Municipal de Saúde convocou uma reunião para ouvir as partes, mas o imbróglio é o mesmo. De um lado, a Santa Casa cobra mais recursos para reduzir a dívida e manter o atendimento do hospital, que concentra a alta complexidade do Estado.
Do outro lado, prefeitura e governo querem mais transparência na gestão dos repasses, alegando que a Santa Casa falha na prestação de contas. O caso chegou a justiça, mas é cercado por impasses.
Secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, reforçou que falta transparência do hospital e que o fechamento da cirurgia pediátrica, por exemplo, descumpre contrato que estabelece 180 dias de antecipação para descontinuar um serviço.
A Santa Casa justifica que apenas uma média e assistentes realizavam as cirurgias cardíacas pediátricas e a assistente passa por um problema grave da saúde. “Falta recursos, leitos, equipe e como o hospital vai manter o serviço?”, disse.
Enquanto isso, a população sofre com falta de atendimento. “Nossa preocupação é em relação a assistência, os usuários estão sofrendo, tem pessoas morrendo, por falta de acesso. Queremos encontrar soluções que impactem no atendimento, na assistência em saúde”, destacou o presidente do conselho, Jader Vasconcelos.
Segundo o diretor da Santa Casa, o déficit do hospital era de R$ 13 milhões no início do ano, quando governo e município fizeram nova proposta de contrato, mas o valor continua aumentando. “A gente precisa assumir que o poder publico não tem condições de entregar a saúde que a população demanda”, afirma Marchezan.
Ao considerar um possível fechamento da Santa Casa, ainda que hipotético, o diretor convida à reflexão. Hoje a dívida milionária é da Santa Casa, para manter o atendimento, mas se o hospital fechar, quem vai se responsabilizar pelo atendimento complexo da população?
Fonte: O Jacaré
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