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Paulo de Tarso: entre o chamamé, o Pantanal e as lembranças de um homem que amava a vida

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O pastor e jornalista Vivaldo Silva, ex-colaborador de O Pantaneiro, lança videoclipe em tributo ao médico, músico, poeta e apaixonado pelo Pantanal que deixou sua marca na cultura sul-mato-grossense.

​Há pessoas que passam pela vida deixando lembranças.

Outras deixam histórias. Paulo de Tarso deixou as duas coisas — e ainda deixou músicas que continuam contando um pouco de quem ele foi.

​Nesta segunda-feira, dia 10, o ex-pastor da IPB de Aquidauana, ex- assessor de Fauzi Suleiman e ex-colaborador de
O pantaneiro, Rev. Vivaldo S. Melo, lançou uma canção acompanhada de videoclipe em homenagem póstuma ao médico, músico, poeta e compositor sul-mato-grossense, falecido em 2 de janeiro de 2021, vítima da Covid-19, depois de atuar na linha de frente do combate à doença em Campo Grande.

​A homenagem encontra uma conexão muito especial com Aquidauana e Anastácio, lugares que Paulo frequentava ao lado da esposa, a médica Dra. Tania Nassar Ribeiro. Entre os programas que apreciava estava algo aparentemente simples, mas que revela muito de sua maneira de viver: pegar a esposa e ir até Anastácio para saborear o tradicional peixe do Amarelinho.

​Paulo era desses homens que encontravam beleza nas coisas simples. Amava a natureza e deixou registradas, nas redes sociais, inúmeras imagens das paisagens pantaneiras da região de Aquidauana.

E não eram apenas fotografias contemplativas. Em várias delas, aparecia ao lado de animais, especialmente jacarés e macacos, seus prediletos, quase sempre em poses divertidas, revelando um homem que sabia transformar a própria vida em uma celebração.

​Médico por profissão, Paulo era também poeta, compositor, músico, artesão, mestre churrasqueiro, pizzaiolo e, sobretudo, um apaixonado pela cultura sul-mato-grossense.

Foi presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil e construiu, ao lado de Tania, uma família da qual muito se orgulhava: os filhos Mirian, Paulinho e Valter.

​Na música, seu nome ficou associado a composições que atravessaram as fronteiras de Mato Grosso do Sul. Entre elas estão “Ciúme Bobo”, “Orgulho Sul-Mato-Grossense” e “Roda de Tereré”, esta última relacionada a uma reportagem do Fantástico, da Rede Globo, sobre o tradicional costume pantaneiro.

​O chamamé era uma de suas grandes paixões. Paulo frequentava encontros e festivais dedicados ao gênero, inclusive o tradicional Festival de Rio Brilhante e eventos em Corrientes, na Argentina, uma das grandes referências para os amantes dessa música.

No círculo de amizades estavam nomes ligados à música regional, como Almir Sater, Renato Teixeira, Tostão e Guarani, Gelson, do grupo Tradição, Marlon Maciel e integrantes do Grupo Zíngaro, entre outros.

​A canção que agora o homenageia resume, em alguns versos, aquilo que ficou: “Mais que a canção, lembrei seu autor”.

E talvez seja exatamente essa a essência do tributo. Não lembrar apenas das músicas, mas do homem que existia por trás delas.

​“Paulo de Tarso, quantas lembranças / Seu nome hoje entre nós invoca / Onde houver sempre boa festança / A sua música nos move e toca.”

​O homem partiu.

A música, porém, ficou. E no Pantanal que ele tanto admirava, entre rios, bichos, paisagens e rodas de conversa, talvez ainda seja possível imaginar Paulo chegando com seu violão, uma boa história para contar e, inevitavelmente, um chamamé para tocar.

REV. VIVALDO S. MELO

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