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Formação continuada fortalece língua e cultura Terena nas escolas municipais de Aquidauana

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Curso reuniu educadores indígenas e universidades em iniciativa que busca valorizar saberes das comunidades e aprimorar a educação escolar indígena

A valorização da língua, da cultura e dos conhecimentos tradicionais ganhou um novo reforço na educação de Aquidauana. Foi realizado no auditório da Secretaria Municipal de Educação (SEMED), no dia 28, a aula inaugural do Curso de Formação Continuada de Professores Indígenas Terena – Ação Saberes Indígenas na Escola.

A iniciativa é promovida pela Prefeitura de Aquidauana, por meio da SEMED, em parceria com a Universidade Federal de Jataí (UFJ) e o Programa de Pós-Graduação em Estudos Culturais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Câmpus de Aquidauana.

Mais do que uma capacitação profissional, a formação propõe um espaço permanente de diálogo e troca de experiências entre os educadores, tendo como um dos principais objetivos o fortalecimento e a revitalização da Língua Terena.

A proposta também busca reconhecer os conhecimentos produzidos dentro das próprias comunidades indígenas, valorizando a experiência dos professores e as práticas pedagógicas construídas a partir da realidade cultural dos estudantes.

Educação indígena como instrumento de preservação cultural

O curso adota uma metodologia híbrida, com atividades presenciais e a distância, levando em consideração as características socioculturais e geográficas das escolas que atendem as comunidades indígenas do território do Pantanal.

Ao longo da formação, será realizada uma aula on-line por mês, com encerramento previsto para dezembro. A expectativa é que o processo formativo contribua diretamente para o aprimoramento das práticas pedagógicas e, ao mesmo tempo, fortaleça a presença da língua e da cultura Terena no ambiente escolar.

Um dos diferenciais da iniciativa é justamente colocar os próprios educadores indígenas como protagonistas na construção do conhecimento.

Como resultado das atividades desenvolvidas durante o curso, está prevista ainda a publicação de um livro, reunindo conhecimentos, experiências e práticas pedagógicas compartilhadas ao longo da formação. A obra deverá se tornar uma referência para o trabalho didático e pedagógico desenvolvido nas escolas municipais que atendem as comunidades indígenas.

Marcos Terena participa da aula inaugural

A aula inaugural contou com a participação especial do professor Marcos Terena, escritor e comunicador, presidente do Instituto Memória e Ciência Indígena e articulador dos Direitos Indígenas junto à Organização das Nações Unidas (ONU).

Sua presença contribuiu para ampliar o debate sobre identidade, cultura, educação e os desafios enfrentados pelos povos indígenas na preservação de seus conhecimentos e tradições.

A programação também contou com uma mesa de debates formada por professores universitários e participantes da formação, criando um ambiente de diálogo e intercâmbio de experiências.

Presença de lideranças indígenas

A abertura reuniu autoridades municipais, professores, pesquisadores, educadores indígenas, caciques e lideranças das comunidades.

Participaram o prefeito Mauro do Atlântico; a secretária municipal de Educação, Wilsandra Beda; o vereador Fred Frank, representando a Câmara Municipal; o professor doutor Wanderley Dias Cardoso, coordenador pedagógico das escolas municipais indígenas e coordenador regional da Política de Educação Escolar Indígena do MEC em Mato Grosso do Sul; a professora doutora Sandra Nara da Silva Novais, da UFJ; o professor doutor Aguinaldo Rodrigues Gomes, da UFMS; além de educadores indígenas de Aquidauana e Miranda.

Também estiveram presentes representantes de diversas comunidades, entre eles Antônio Mariano, da Associação Indígena Txané; Ademilson Souza, da Aldeia Limão Verde; Benigno Paulino, da Aldeia Morrinho; Ademir Soares, da Aldeia Ipegue; Márcio, representante da Aldeia Córrego Seco; Julison Farias, da Aldeia Água Branca; Tinho Martins, coordenador municipal indígena da Terra Limão Verde; e Luiz Gonçalo, presidente da Associação Txané.

Prefeitura destaca investimento na qualificação

Durante a abertura, o prefeito Mauro do Atlântico destacou o trabalho desenvolvido pela coordenação pedagógica indígena e o compromisso da Administração Municipal com a educação nas comunidades.

“Temos a nossa coordenação pedagógica indígena muito bem representada pelo professor Wanderley, valorizando de todas as formas a comunidade Terena de Aquidauana. Com certeza, ao final da nossa gestão, vamos ter avançado muito na qualificação dos nossos professores e na qualidade do ensino dos nossos alunos”, afirmou.

O prefeito também ressaltou a importância da qualificação dos profissionais da Rede Municipal de Ensino, destacando que a formação acadêmica e o aperfeiçoamento permanente dos educadores contribuem para melhorar o processo de ensino e aprendizagem.

“Estamos buscando a voz de cada professor”

A secretária municipal de Educação, Wilsandra Beda, classificou a formação como mais uma iniciativa voltada ao fortalecimento da educação nas comunidades indígenas.

“Essa aula inaugural representa mais qualificação para a educação dentro das comunidades indígenas. Temos avançado graças à nossa coordenação pedagógica indígena, que tem à frente o professor Wanderley e vem realizando um ótimo trabalho. Essa formação é uma parceria com as universidades para fortalecer a língua e a cultura indígena por meio das aulas que serão ministradas ao longo da formação”, explicou.

Wilsandra também destacou que a proposta não pretende apenas transmitir conhecimento, mas valorizar aquilo que os próprios educadores indígenas já produzem e vivenciam em suas comunidades.

“Além do conhecimento, estamos buscando os saberes, a voz de cada professor nesta formação”, ressaltou.

A iniciativa representa, assim, um passo importante para aproximar universidade, poder público e comunidades indígenas em torno de um objetivo comum: garantir uma educação de qualidade sem deixar de preservar a identidade, a língua, a memória e os saberes tradicionais do povo Terena.

Ao final da formação, a expectativa é que o conhecimento produzido permaneça não apenas entre os participantes, mas também nas escolas e nas comunidades, contribuindo para que as novas gerações tenham acesso à educação e, ao mesmo tempo, possam manter viva a riqueza cultural de seus antepassados.

Rosa Vasconcelos, Planews

Informações: AGECOM

Fotos: Gabriela Bernardes

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