A Operação Antidotum revelou que áudio gravado em fevereiro deste ano, pelo gerente administrativo da Santa Casa, Alessandro Dias Junqueira, mostra que o esquema de corrupção na cúpula do hospital já era comentado por vários funcionários e poderia ser desmascarado a qualquer momento.
“Doutora, os médicos falaram que não aceitam o Rinaldo aqui dentro da administração, que ele rouba, a diretoria não faz nada. Isso foi falado na reunião do sindicato, onde tinha 40 médicos. Que cara a senhora tem agora para administrar, sabendo que eles sabem da situação, falando isso”, disse Alessandro no áudio, após sair de uma reunião no Sindicato dos Médicos de MS.
Citado no áudio, o então diretor de Finanças e Administração, Rinaldo Hakme Romano é apontado pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), como essencial para a formalização e a execução da fraude, junto com Alessandro. Foi Rinaldo que teria recebido
“Ambos instauraram o procedimento de contratação da REDVALUE sem estudo técnico, termo de referência, análise de viabilidade ou demonstração de vantajosidade. Rinaldo recebeu do próprio Maurício Benites a minuta do instrumento que seria firmado, participou das tratativas de pagamento, autorizou a liberação dos recursos e subscreveu documentos utilizados para sustentar a execução contratual”, mostra o relatório do Ministério Público Estadual.
Mais que isso, o Gecoc afirma que Rinaldo era o responsável por orientar Maurício sobre como os pagamentos e contratos deveriam ser feitos, para conferir aparência de regularidade ao procedimento. Áudios interceptados comprovam que não houve um procedimento de licitação adequado para a contratação da Redvalue.
“Rinaldo já mantinha contato direto com o beneficiário da contratação, conhecia previamente as três empresas que seriam acionadas e orientou a repetição formal das solicitações pelo e-mail institucional para revestir o procedimento da aparência de regularidade administrativa”, aponta o Gecoc.
O contrato com a Redvalue foi efetivamente assinado em 29 de outubro de 2024, após várias negociações entre o empresário e a diretoria da Santa Casa. “O empresário recebia informações internas e antecipadas sobre a aprovação, a tramitação e as assinaturas do contrato diretamente do gestor responsável, comprovando que ALIR TERRA LIMA e JARY DE CARVALHO CASTRO também integrantes essenciais da cadeia decisória necessária à formalização”.
Médicos dizem que vão acionar à Justiça
Na oportunidade, o gerente Alessandro Dias Junqueira chamou o Sinmed de “covil dos monstros” e disse que gravou toda a reunião, mesmo sem autorização. O sindicato reagiu e afirmou, em nota, que vai acionar à Justiça, destacando que enquanto “vigiava” os médicos, deixava de cumprir com obrigações importantes como acordos coletivos com a classe.
“O SinMed/MS não tolerará vigilância, exposição ou qualquer forma de retaliação contra dirigentes sindicais e médicos pelo exercício legítimo de seus direitos. A entidade adotará, por meio de sua Diretoria e assessoria jurídica, as medidas administrativas e judiciais cabíveis”, diz nota do sindicato.
Fonte: O Jacaré
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