Iniciativa ‘Você Merece um Amor Leve’ chega à quarta edição em Campo Grande e reforça a importância da medida protetiva
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deu início, nesta segunda-feira (1º) em Campo Grande, à quarta edição da campanha “Você Merece um Amor Leve”. A ação, que coincide com o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, tem como objetivo ampliar a conscientização sobre a violência doméstica, divulgar a rede de apoio e estimular mulheres a buscarem auxílio antes que as agressões atinjam o nível mais grave.
De acordo com a promotora de Justiça Lívia Carla Guadamhaim Bariani, idealizadora da campanha, mesmo após anos de discussão sobre o tema, ainda há carência de informações sobre os serviços disponíveis para mulheres em situação de violência. “O que ainda precisa para todos nós são informações e acolhimento. A gente acredita que todo mundo sabe onde ir e o que procurar, mas não sabe. Se você perguntar para dez pessoas na rua o que fazer caso uma irmã ou amiga diga que sofre violência doméstica, muitas não saberão responder”, afirmou.
A promotora ressaltou que a campanha, em seu quarto ano, busca reforçar orientações básicas, porém ainda desconhecidas por grande parte da população. Ela mencionou a Casa da Mulher Brasileira, o Poder Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública e as forças de segurança como canais de entrada para quem precisa de apoio. Lívia destacou que muitas mulheres evitam pedir ajuda por acharem que uma denúncia resultará automaticamente em processo criminal contra o agressor. Ela esclareceu que a medida protetiva pode ser solicitada para interromper o ciclo de violência e garantir mais segurança à vítima. “A medida protetiva salva vidas. Mais de 90% das mulheres que sofreram feminicídio ou tentativa de feminicídio desde 2015 sequer tinham pedido ajuda ou solicitado proteção judicial”, declarou.
A promotora também observou que o feminicídio geralmente é antecedido por uma série de comportamentos abusivos que nem sempre são identificados como violência, como humilhações, xingamentos, destruição de objetos pessoais, controle da rotina e isolamento de amigos e familiares. “O feminicídio é o último degrau da violência. A pessoa humilha, xinga, quebra seu celular, afasta você dos amigos e da família. A mulher precisa se perguntar se realmente vive um amor leve ou se está em um relacionamento tóxico que pode evoluir para algo mais grave”, afirmou.
Durante o lançamento, a subsecretária estadual de Políticas Públicas para Mulheres, Carla Stephanini, avaliou que o combate à violência exige prevenção, acolhimento e respostas rápidas do sistema de Justiça. “Nós queremos trabalhar na prevenção e na proteção, mas também precisamos trabalhar na responsabilização. A sociedade precisa enxergar que existe resposta para esses crimes”, disse. Ela citou avanços na estrutura da Casa da Mulher Brasileira e ferramentas tecnológicas que agilizam o encaminhamento de pedidos de medidas protetivas ao Judiciário. A subsecretária lembrou ainda o julgamento de um feminicídio em Anastácio, concluído em 83 dias. “Se queremos cumprir o desafio de prevenir, punir e erradicar a violência contra as mulheres, precisamos de mais julgamentos como esse, com resposta célere e respeito às garantias legais”, afirmou.
Representando a Secretaria de Estado da Cidadania, a subsecretária de Políticas Públicas para Mulheres, Manuela Nicodemos Bailosa, destacou que a campanha adota uma abordagem diferenciada ao focar em relacionamentos saudáveis, em vez de apenas na punição. “A gente já sabe que não pode agredir e não pode matar. Quando falamos de amor leve, discutimos a raiz do problema, que é o controle exercido sobre a vida das mulheres”, disse. Ela defendeu que o debate sobre violência de gênero alcance escolas, bairros e comunidades, principalmente crianças e adolescentes. “É tão óbvio e, ao mesmo tempo, tão necessário dizer o óbvio. A campanha traz uma possibilidade de mudança nas relações afetivas e mostra que a violência não começa com a agressão física”, declarou. Manuela também chamou atenção para mulheres indígenas, negras, idosas e pessoas com deficiência, grupos que, segundo ela, enfrentam vulnerabilidades específicas e muitas vezes são invisíveis nas estatísticas e políticas públicas.
Ao longo de junho, promotores de Justiça de diversas cidades intensificarão palestras, entrevistas e atividades educativas. A expectativa é aumentar o conhecimento da população sobre canais de denúncia, medidas protetivas e formas de identificar os primeiros sinais de violência. “A vida já é sufocante demais para que alguém viva um relacionamento marcado por medo, controle e agressões. Todos merecem um amor leve”, concluiu Lívia.
Com informacoes de Campo Grande News.











