Estado contabiliza 6.360 casos confirmados, 21 óbitos e duas mortes sob investigação; Dourados responde por quase metade das notificações
Mato Grosso do Sul confirmou o 21º óbito por chikungunya em 2026, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES) divulgados no Boletim Epidemiológico da 20ª Semana Epidemiológica. A vítima, um homem de 50 anos, é o primeiro caso fatal da doença registrado em Itaporã neste ano. Ele apresentava coinfecção por influenza e chikungunya, ou seja, foi infectado simultaneamente pelos dois vírus, além de comorbidades como doença cardiovascular crônica, imunodeficiência/imunossupressão e tabagismo.
O estado acumula 12.811 casos prováveis, dos quais 6.360 foram confirmados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Além dos 21 óbitos confirmados, duas mortes seguem em investigação. O avanço da doença mantém as autoridades sanitárias em alerta, especialmente nos municípios com alta incidência e aumento da circulação do vírus transmitido pelo Aedes aegypti.
Conforme o boletim, as mortes ocorreram em Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna e Itaporã. Do total de vítimas fatais, 12 possuíam comorbidades, fator que pode agravar o quadro clínico.
Dourados continua sendo o principal foco da chikungunya no estado, com 3.112 casos confirmados, praticamente metade de todos os registros. Em seguida aparecem Fátima do Sul (588), Jardim (345), Sete Quedas (278), Corumbá (222), Batayporã (197), Bonito (183), Aquidauana (163), Paraíso das Águas (156) e Amambai (155). Embora lidere em números absolutos, outros municípios apresentam taxas de incidência mais elevadas quando ajustadas pela população.
O ranking de incidência de casos prováveis é liderado por Douradina, com 4.464 casos por 100 mil habitantes, seguido por Paraíso das Águas (3.103,4), Fátima do Sul (3.047,2), Batayporã (2.875,3), Sete Quedas (2.737,9) e Dourados (2.379,1). Os índices são considerados altos e evidenciam a intensidade da transmissão em várias regiões.
Outro dado preocupante são os 80 casos confirmados de chikungunya em gestantes, metade delas no segundo trimestre de gravidez. Dourados concentra 50 desses casos, seguido por Corumbá e Fátima do Sul, com quatro cada. A infecção durante a gestação exige acompanhamento médico rigoroso devido aos riscos de complicações para mãe e bebê, especialmente próximo ao parto.
A série histórica da SES mostra que 2026 já é o ano com maior número de mortes por chikungunya desde o início do monitoramento: 1 óbito em 2015, 3 em 2018, 3 em 2023, 1 em 2024, 17 em 2025 e 21 em 2026. O total atual supera o registrado em todo o ano passado (17 mortes).
Apesar do elevado número de notificações, o boletim indica queda nos casos confirmados nas últimas semanas. Após o pico de 796 confirmações na Semana Epidemiológica 12, houve desaceleração. Na Semana 20, foram 39 novos casos.
As autoridades de saúde reforçam a importância de eliminar criadouros do mosquito, principal medida para conter a transmissão de chikungunya, dengue e zika. Também orientam que pessoas com febre alta, dores articulares intensas, cefaleia e manchas pelo corpo procurem atendimento médico para diagnóstico e acompanhamento.
A Prefeitura de Dourados revogou o decreto de calamidade em saúde pública, publicado originalmente durante o pior momento da epidemia. A medida foi oficializada na quarta-feira (27) pelo prefeito Marçal Filho, após redução sustentada de notificações, internações e focos do Aedes aegypti. O Decreto nº 690 revoga o Decreto nº 638, de 20 de abril de 2026. No entanto, o decreto de emergência em saúde pública, instituído em março, continua em vigor.
Segundo a prefeitura, a revogação ocorreu após avaliação técnica do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), força-tarefa que coordena o enfrentamento da doença na Reserva Indígena e na área urbana. Em reunião em 21 de maio, os integrantes do COE concluíram que o cenário epidemiológico não justificava mais a calamidade. O grupo reúne representantes do Ministério da Saúde, Secretaria Estadual de Saúde, Secretaria Municipal de Saúde, Sesai, Dsei, Conselho Municipal de Saúde e Defesas Civis municipal, estadual e federal.
Com informacoes de correiodoestado.











