Dados do SISVAN apontam que 67.275 crianças na faixa etária apresentam sobrepeso ou obesidade no estado
Junho traz consigo uma data de alerta: o Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, celebrado na quarta-feira (3). Números recentes do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) revelam que, em 2025, 3 a cada 10 crianças de 0 a 9 anos estavam com excesso de peso em Mato Grosso do Sul. Isso equivale a 67.275 crianças nessa faixa etária com sobrepeso, obesidade ou obesidade grave.
Entre as crianças de 0 a 5 anos, 40.944 estavam com peso acima do recomendado, o que representa 32,95% do total. Já entre os adolescentes, 56.850 estavam na mesma condição no ano passado.
Nos primeiros cinco meses de 2026, 18.594 crianças de 0 a 5 anos já apresentavam peso acima do esperado, ou 32,56% desse grupo.
“Os dados mostram que a obesidade infantil deixou de ser um problema isolado e se tornou um grande desafio para a saúde pública. Além de impactar os primeiros anos de vida, o excesso de peso na infância eleva significativamente o risco de doenças crônicas na adolescência e na vida adulta, reforçando a necessidade de prevenção e acompanhamento precoce”, afirmou a pediatra e membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), Dra. Mariana Grigoletto.
A médica ressalta que, embora 67% das crianças tenham peso adequado, os 32% com sobrepeso ou obesidade acendem um alerta e exigem estratégias preventivas desde cedo.
As principais consequências do ganho de peso incluem maior risco de diabetes tipo 2, hipertensão arterial e problemas cardiovasculares, além de impactos psicológicos como baixa autoestima e exposição ao bullying.
“O acompanhamento pediátrico é essencial. Quando detectamos alterações no peso e nos hábitos precocemente, podemos intervir antes do agravamento. Com orientações adequadas, é possível evitar a obesidade na vida adulta e reduzir os riscos de doenças associadas, promovendo uma vida mais saudável”, destacou a Dra. Mariana.
A prevenção passa por uma dieta equilibrada. A pediatra recomenda o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes e verduras, e a redução de ultraprocessados e bebidas açucaradas. Também enfatiza a prática regular de atividades físicas e a diminuição do tempo de tela.
“Criar hábitos saudáveis desde a infância é decisivo para evitar a obesidade e outras doenças. Embora a genética possa influenciar, o estilo de vida e o ambiente onde a criança está inserida são fundamentais na prevenção e controle”, completou.
Segundo o Atlas Global da Obesidade e a OMS, o Brasil pode se tornar o 5º país com mais crianças e adolescentes obesos até 2030. Dados do Panorama de Obesidade Infantil e Adolescente do SISVAN de 2025 mostram que, no ano passado, mais de 1,17 milhão de crianças tinham obesidade e mais de 783 mil, obesidade grave. Ou seja, 9 em cada 100 crianças de 0 a 9 anos estavam obesas e 6 em cada 100, com obesidade grave.
Esses números refletem mudanças nos padrões alimentares: as crianças estão consumindo ultraprocessados e bebidas açucaradas cada vez mais cedo.
“A obesidade infantil raramente ocorre de forma isolada. Está ligada aos hábitos alimentares, à rotina familiar e ao ambiente. Pequenas mudanças consistentes no dia a dia, especialmente nos primeiros anos, podem ter um impacto duradouro na saúde física e emocional”, concluiu a Dra. Mariana Grigoletto.
Com informacoes de correiodoestado.











