A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul esteve em Jaraguari para participar de uma ação voltada à valorização das mulheres negras e ao enfrentamento ao racismo, ao sexismo e a outras formas de opressão. O encontro aconteceu na sede da Associação de Pequenos Produtores Rurais de Furnas do Dionísio, tradicional comunidade quilombola do município, e reuniu lideranças locais e representantes de órgãos públicos.
Para Maria Aparecida Silva Martins, presidenta da associação, mulher negra e liderança da comunidade, o momento foi simbólico.
“O evento representa a luta, resistência e a importância da mulher negra à frente e atuante em qualquer área”, afirmou.
A defensora pública Kricilaine Oliveira Souza Oksman, coordenadora do Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (Nudem), representou a Defensoria na mesa de honra e destacou o compromisso institucional com a promoção da equidade:
“É um momento de relembrarmos e comemorarmos a existência das mulheres negras! E a Defensoria Pública tem um trabalho muito consistente para viabilizar a essas mulheres a garantia dos seus direitos, a sua dignidade e o seu espaço.”
Reconhecendo o protagonismo das mulheres negras na construção de políticas públicas, Kricilaine convidou para falas duas colegas negras que integram o Nudem: a assistente social Isabela Alves Nantes Zacarias e a psicóloga Keila de Oliveira Antonio, neta de quilombola.
O encontro contou ainda com a presença da subsecretária estadual de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial, Vania Lucia Baptista Duarte, do prefeito de Jaraguari, Cláudio Ferreira da Silva, da coordenadora municipal de Igualdade Racial, Greice Martins, da vereadora Dani Martins, além de outras autoridades e mulheres da comunidade.
A atividade incentivou o debate sobre ancestralidade, acesso a direitos, políticas públicas de gênero e combate às desigualdades.
“Refletir sobre a realidade das mulheres negras ainda é necessário. Precisamos nos perguntar: ‘estamos no caminho certo?’, ‘o que ainda precisa ser enfrentado?’”, destacou Vania Duarte.
Quilombolas: resistência viva
Os quilombolas são descendentes de pessoas escravizadas que formaram comunidades em resistência à opressão colonial. Até hoje, vivem em coletividade, preservando tradições e lutando por condições dignas de vida, terra, educação e reconhecimento.
Ao participar de iniciativas como essa, a Defensoria reafirma seu papel na promoção da justiça social e no fortalecimento das vozes negras, especialmente das mulheres quilombolas, em sua caminhada por igualdade e respeito.