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Cidade sul-mato-grossense é a principal porta de entrada para imigrantes que viram mão de obra escrava no Brasil

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Levantamento aponta que Corumbá responde por 29,1% dos registros de trabalhadores estrangeiros resgatados entre 2003 e 2022

Duas cidades de Mato Grosso do Sul estão entre os principais pontos de ingresso de estrangeiros que foram vítimas de trabalho escravo no Brasil. Corumbá, localizada na fronteira com a Bolívia, ocupa o topo do ranking nacional, com 29,1% dos casos identificados no período de 2003 a 2022. Ponta Porã, na divisa seca com o Paraguai, figura na quinta colocação, com 8,25%.

Os números foram divulgados pelo SmartLab Trabalho Escravo, plataforma criada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) Brasil, em parceria com órgãos federais. O sistema cruza dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Polícia Federal sobre migração e resgates de pessoas em condições análogas à escravidão.

Depois de Corumbá, aparecem Epitaciolândia (AC), com 14,6%; Pacaraima (RR), com 12,1%; e Foz do Iguaçu (PR), com 9,47%.

As informações evidenciam como a localização geográfica de Mato Grosso do Sul, com vastas faixas de fronteira internacional, transformou seus municípios em rotas para migrantes em situação vulnerável. Muitos são atraídos por falsas promessas de trabalho no agronegócio e em atividades rurais.

O infográfico do observatório indica que, em Corumbá, o fluxo mais comum é de bolivianos, geralmente com destino a São Paulo ou cidades do interior paulista. Já em Ponta Porã, a rota principal envolve paraguaios que cruzam a fronteira a partir de Pedro Juan Caballero e seguem, em grande parte, para cidades do interior sul-mato-grossense, com destaque para Bela Vista.

Entre 2003 e 2022, Mato Grosso do Sul registrou 3.215 trabalhadores resgatados de situações de trabalho escravo. O município com maior número de resgates foi Brasilândia, com 1.011 casos. Na sequência vêm Iguatemi (668) e Naviraí (413).

Em uma série histórica mais ampla, de 1995 a 2024, o estado contabiliza 3.243 trabalhadores resgatados e 126 flagrantes, ocupando a sétima posição nacional em ocorrências de trabalho escravo.

Dados organizados pela Repórter Brasil mostram que, de 2010 a 2024, Mato Grosso do Sul foi o segundo estado com mais migrantes resgatados em condições análogas à escravidão: 143 casos, atrás apenas de São Paulo, com 548.

Conforme o levantamento, todos os migrantes resgatados no estado nesse período eram paraguaios do sexo masculino. A maioria se declarou parda (61%) e atuava principalmente na pecuária (39%) e em lavouras (32%).

O perfil das vítimas também revela situações recorrentes de vulnerabilidade social. Entre 2003 e 2025, 47% dos trabalhadores resgatados no estado eram indígenas, mais de um terço tinha até 24 anos e quase metade era analfabeta.

O trabalho no campo continua sendo o principal foco de exploração em Mato Grosso do Sul. Atividades ligadas à agropecuária concentram a maior parte dos casos de trabalho análogo à escravidão, especialmente envolvendo migrantes paraguaios e populações indígenas em situação de vulnerabilidade.

Em todo o país, 65,5 mil pessoas foram resgatadas do trabalho escravo entre 1995 e 2024, de acordo com a série histórica do SmartLab.

Com informacoes de Campo Grande News.

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