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Canetas emagrecedoras ameaçam o açúcar brasileiro

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A indústria sucroalcooleira brasileira enfrenta um desafio inédito. Além dos custos operacionais elevados e dos impactos climáticos severos, o setor agora precisa lidar com uma nova força de mercado: as canetas emagrecedoras estão reduzindo o consumo de açúcar nos Estados Unidos, um dos principais compradores do Brasil.

A tese surgiu a partir de tradings de açúcar norte-americanas, como a Czarnikow. Segundo essas empresas, as injeções de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, originalmente desenvolvidas para controle do diabetes tipo 2, estão levando os americanos a comprar menos alimentos com açúcar. Com isso, os contratos futuros da commodity caíram para menos da metade do preço anterior nos EUA.

Os números que preocupam o setor

O impacto já aparece em dados oficiais. Em dezembro do ano passado, o Departamento de Agricultura dos EUA, o USDA, publicou seu Relatório de Perspectivas de Oferta e Demanda. O documento reduziu em 65% a estimativa de consumo de açúcar no país para 2026, para o equivalente a 32 toneladas.

Portanto, o cenário não é especulação do mercado. É uma projeção oficial do governo americano que reconhece a mudança no comportamento do consumidor. E o Brasil, responsável por cerca de 23% da produção mundial de açúcar, sente o efeito diretamente.

A válvula de escape: o etanol

Apesar do cenário adverso, o setor sucroalcooleiro brasileiro tem uma vantagem estrutural. As usinas de cana do país podem redirecionar a produção para o etanol caso o mercado de açúcar se torne menos atrativo.

Segundo Ieda Queiroz, advogada e coordenadora do setor de agronegócios do CSA Advogados, essa flexibilidade é uma saída concreta. “Caso o mercado internacional se torne menos atrativo, as usinas brasileiras podem direcionar maior volume de cana para a produção de etanol, sobretudo quando as condições internas forem favoráveis”, avalia.

Essas condições incluem o preço da gasolina, a política de combustíveis e os créditos de descarbonização. Ou seja, a virada para o etanol depende tanto do mercado externo quanto do ambiente regulatório interno.

Mas o etanol também tem limite

Contudo, a solução não é simples. Frederico Favacho, sócio de agronegócios do escritório Santos Neto Advogados, alerta para um risco adicional. “À medida que o preço do açúcar cair, as usinas vão usar suas estruturas para a produção de etanol, e o aumento do volume vai derrubar o preço do combustível”, explica.

Ainda assim, segundo o especialista, o cenário depende do preço praticado no mercado, que hoje está estável e competitivo. Portanto, a migração para o etanol pode aliviar a pressão no curto prazo, mas não resolve o problema de forma definitiva.

Os contratos também entram em risco

Além da dimensão econômica, Ieda Queiroz aponta consequências jurídicas relevantes. Segundo ela, contratos de fornecimento de longo prazo, exportação, hedge e financiamento atrelados à performance operacional podem ser afetados pela volatilidade de preços.

Nesse cenário, as partes podem acionar cláusulas de hardship, ou seja, dispositivos contratuais que obrigam a renegociação em caso de eventos extraordinários e imprevisíveis que tornem o contrato excessivamente oneroso. Além disso, discussões sobre força maior ou revisão por onerosidade excessiva também podem surgir, a depender da redação contratual e da lei aplicável.

Novos contratos precisarão de mais proteção

As negociações em curso já refletem esse novo ambiente de risco. Segundo Ieda, os contratos tendem a incorporar mecanismos de proteção mais robustos daqui para frente.

Entre as ferramentas previstas estão cláusulas de ajuste de preço, earn-outs vinculados a indicadores de mercado e flexibilização de volumes mínimos. Além disso, os covenants financeiros, que são cláusulas contratuais em empréstimos e debêntures que estabelecem regras e obrigações para a empresa devedora, deverão ser calibrados para cenários mais conservadores.

“Em outras palavras, além de um tema econômico, trata-se também de uma variável jurídica que deve ser incorporada à matriz de riscos contratuais do setor”, conclui a advogada.

Fonte: BP Money

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