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Frete sem inteligência de dados causa mais de 70% das desistências de carrinho

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Frete sem inteligência de dados está por trás de mais de 70% das desistências de carrinho no e-commerce, enquanto sistemas desconectados podem gerar devoluções equivalentes a 15% do faturamento bruto. Os dados fazem parte do relatório “Contagem Regressiva: 90 dias para a Black Friday & 90 insights sobre logística e varejo”, elaborado pela nstech a partir de discussões do Fórum E-Commerce Brasil 2026.

Na reta final para a Black Friday, o levantamento coloca integração tecnológica e logística no centro da disputa pela conversão. Segundo o material, um embarcador médio pode lidar hoje com até 54 soluções diferentes de supply chain para fazer um pedido chegar ao consumidor.

O problema não está necessariamente na quantidade de tecnologias, mas na dificuldade de fazer esses sistemas compartilharem informações de forma coordenada. Estoque, cálculo de frete, transporte, rastreamento e devolução fazem parte de uma mesma jornada, mas podem operar em plataformas distintas.

“São dois números que resumem o custo real da fragmentação de sistemas. Não é abstração de slide, é faturamento perdido todo mês”, afirma Vasco Oliveira, CEO da nstech, ao comentar os dados sobre abandono de carrinho e devoluções.

O relatório reúne 90 diagnósticos sobre frete, dados, inteligência artificial e comportamento do consumidor levantados a partir do Fórum E-Commerce Brasil, realizado entre 28 e 30 de julho, em São Paulo, e de discussões posteriores com executivos e especialistas do setor.

Frete entra na decisão de compra

A pressão sobre a infraestrutura tecnológica aumenta à medida que a logística deixa de ser apenas uma etapa posterior à venda.

Segundo dado apresentado durante o Fórum e incorporado ao relatório, o frete está entre os principais motivos de abandono de carrinho no comércio eletrônico. A avaliação dos especialistas reunidos no material é que oferecer frete grátis, isoladamente, já não representa necessariamente um diferencial: prazo e capacidade de cumprir o que foi prometido ganham espaço na decisão.

Isso aproxima a operação logística do próprio checkout. Preço competitivo e disponibilidade de estoque podem não ser suficientes se o sistema não consegue apresentar rapidamente uma opção de entrega compatível com a expectativa do consumidor.

A mesma lógica vale para operações omnichannel, nas quais estoques, lojas físicas, canais digitais e transporte precisam funcionar de maneira integrada.

“Uma operação omnichannel bem executada aumenta o valor do cliente ao longo do tempo sem canibalizar a loja física. O receio histórico do setor não se confirma quando a integração é de fato ponta a ponta”, afirma Helena Costa, diretora de Varejo da nstech.

IA reduz ainda mais a janela de decisão

A Inteligência Artificial acrescenta uma nova camada a esse cenário. O relatório chama atenção para o avanço do chamado consumidor agêntico, no qual assistentes e agentes de IA passam a pesquisar, comparar e eventualmente tomar decisões de compra em nome dos usuários.

Nesse ambiente, preço, frete e prazo podem ser avaliados automaticamente antes de uma oferta chegar à tela do consumidor.

De acordo com dados apresentados no Fórum, essas decisões podem ocorrer entre 30 e 150 milissegundos, enquanto a interação de um consumidor humano leva de três a cinco segundos.

“O consumidor agêntico decide em 30 a 150 milissegundos, contra 3 a 5 segundos do consumidor humano. Quem não aparece rápido o suficiente para o algoritmo simplesmente não é considerado na compra”, diz Helena.

A velocidade, nesse caso, não se limita ao carregamento de uma página. Para responder a uma consulta, diferentes sistemas precisam disponibilizar informações corretas e atualizadas sobre preço, estoque, frete e prazo praticamente em tempo real.

A fragmentação tecnológica, portanto, deixa de afetar apenas a eficiência interna da operação. À medida que agentes de IA ganham espaço na jornada de compra, a capacidade de integrar e disponibilizar dados pode influenciar se uma oferta chega ou não a ser considerada.

Perto da Black Friday, estabilidade ganha peso

Se a tecnologia passa a interferir diretamente na conversão, a preparação para a Black Friday também exige cautela com mudanças feitas perto do período de maior demanda.

Entre as recomendações reunidas no relatório está o congelamento de alterações relevantes antes do pico. A orientação é que ajustes necessários sejam realizados com antecedência suficiente para testes, evitando que uma mudança de última hora introduza instabilidade justamente quando o volume de pedidos aumenta.

A lógica é priorizar confiabilidade sobre experimentação na reta final. Segundo o material, exceções só deveriam ser feitas quando há confiança nos dados que sustentam a mudança, e não apenas pressão de calendário.

O alerta se estende também ao pós-compra. Rastreamento, atualização de status, cumprimento do prazo e devolução continuam fazendo parte da experiência depois que o pagamento é concluído.

Preparação vai além do checkout

Além dos 90 insights, o material reúne um checklist com oito pontos de preparação logística para a Black Friday. As recomendações foram construídas a partir das discussões do “Experience Day | Next Generation Retail & Black Friday 2026”, encontro promovido pela nstech com lideranças de varejo e e-commerce.

A curadoria contou com especialistas da nstech, Frete Rápido e BRK e com a participação de executivos de empresas como Amazon e Grupo VESTE, além da agência Ana Couto.

O diagnóstico que atravessa o estudo é que infraestrutura tecnológica e logística estão se aproximando cada vez mais da própria venda. Em uma jornada na qual preço, disponibilidade, frete e prazo podem ser comparados em segundos, ou milissegundos, falhas entre sistemas deixam de ser apenas um problema operacional.

Imagem: Shutterstock

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