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Curta sul-mato-grossense “Mapago” conquista prêmio de Melhor Filme dos dois Mato Grosso no Festival de Cinema de Cuiabá

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O cinema produzido no interior de Mato Grosso do Sul conquistou reconhecimento nacional neste fim de semana. O curta-metragem “Mapago”, dirigido por Marcus Teles e roteirizado por Gleycielli Nonato Guató, foi o vencedor do Prêmio Uno Mato, concedido ao melhor filme produzido entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul durante o 23º Festival de Cinema de Cuiabá (CineMATO).

A cerimônia de premiação foi realizada no último domingo (5), encerrando a 23ª edição do festival, que celebra 33 anos de história e é considerado um dos principais eventos dedicados ao audiovisual da região Centro-Oeste.

A conquista coloca em evidência uma produção nascida no interior sul-mato-grossense e construída a partir das vivências do povo Guató, valorizando a cultura, a identidade e a resistência dos povos indígenas contemporâneos.

Protagonismo indígena marca a produção

Com roteiro inspirado nas experiências da escritora e atriz Gleycielli Nonato Guató, o filme acompanha a trajetória de Fagunda, uma mulher Guató que vive distante de seu território ancestral, e de sua filha Serena, artista que encontra no funk e no hip hop formas de reafirmar sua identidade indígena em meio ao contexto urbano.

As protagonistas são interpretadas pela própria Gleycielli e por Serena MC, ambas mulheres indígenas Guató que também vivenciam essa realidade fora das telas. A produção rompe estereótipos ao mostrar que a identidade indígena permanece viva independentemente do território onde seus integrantes vivem.

Segundo o diretor Marcus Teles, o reconhecimento recebido no CineMATO representa uma conquista para todo o cinema produzido fora dos grandes centros.

“Somos uma produção do interior do interior, sem distribuidora e sem a estrutura que normalmente acompanha grandes produções. Ver ‘Mapago’ alcançar festivais importantes e compartilhar espaço com obras vindas de centros que já possuem uma cadeia cinematográfica consolidada é, por si só, uma grande vitória.”

Estreia em território de forte ancestralidade Guató

Para a equipe, a estreia nacional em Cuiabá teve um significado especial. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul concentram a presença histórica e contemporânea do povo Guató, tornando o CineMATO um espaço simbólico para iniciar a circulação da obra pelo país.

Marcus Teles destacou que apresentar o filme em um dos territórios ligados à memória ancestral do povo Guató fortalece ainda mais a mensagem da produção.

Representatividade construída pelos próprios indígenas

A roteirista Gleycielli Nonato Guató ressalta que o maior legado de “Mapago” é permitir que os próprios povos indígenas contem suas histórias.

Segundo ela, durante a infância, era raro encontrar personagens indígenas retratados de forma verdadeira na literatura, no cinema ou nas artes. Hoje, afirma, essa realidade começa a mudar com produções protagonizadas por indígenas e construídas a partir de suas próprias experiências.

“O filme mostra que podemos ser indígenas em qualquer lugar. No asfalto ou na mata, seguimos carregando nossa ancestralidade. Nossa identidade não depende do território onde estamos, porque ela vive em nós”, destaca a roteirista.

Trajetória nacional continua

Após conquistar o principal prêmio destinado às produções dos dois Mato Grosso, “Mapago” seguirá sua circulação pelo circuito nacional de festivais.

Ainda neste mês, o curta será exibido no Bonito CineSur, em Mato Grosso do Sul. Em agosto, a produção integra a programação do tradicional Festival Guarnicê de Cinema, em São Luís (MA), um dos eventos mais importantes do audiovisual brasileiro.

Para Marcus Teles, essa circulação amplia a visibilidade do cinema produzido em Mato Grosso do Sul e fortalece o debate sobre a diversidade cultural e a representatividade dos povos indígenas nas telas.

Incentivo à cultura

O curta-metragem “Mapago” foi realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), programa federal de incentivo à cultura que apoia produções artísticas em todo o país.

Ao conquistar o Prêmio Uno Mato, a obra reafirma a força do audiovisual sul-mato-grossense e evidencia que histórias produzidas no interior e protagonizadas por povos originários têm qualidade, relevância e capacidade de dialogar com públicos de todo o Brasil.

Fontes: Lucas Arruda

Fotos: Eduardo Andrade

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