Enquanto muitos celebram a perda de peso acentuada em mulheres maduras, emagrecer não é sinônimo de envelhecer com saúde.
Mulheres maduras estão cada vez mais rompendo com estereótipos de gênero e idade, conquistando espaços de destaque na sociedade, inclusive em áreas antes dominadas pelos jovens. Com isso, cresce a preocupação em “envelhecer bem”, tanto esteticamente quanto em termos de saúde. No entanto, na era do retorno da magreza extrema e das canetas emagrecedoras, muitos acreditam que “envelhecer bem” equivale a “ser o mais magra possível”, o que exige cautela.
O Dr. Luiz Augusto Junior, médico especialista em saúde da mulher e nutrologia, explica que ter costelas aparentes, clavículas salientes e braços muito finos nem sempre é sinal de saúde, especialmente para mulheres na menopausa, quando o corpo necessita de mais reservas musculares, ósseas e metabólicas. Perder peso rapidamente e sem acompanhamento profissional nessa idade pode aumentar a fragilidade fisiológica e comprometer a longevidade, além de provocar problemas como desnutrição proteica, sarcopenia e baixa densidade óssea.
“Antes de pensar em emagrecimento, pense em reconexão e saúde. Porque o corpo em paz emagrece. Corpo em guerra estagna”, afirma o Dr. Luiz Augusto Junior. Ele ressalta que “envelhecer bem” não se resume a reduzir o peso na balança, mas também a preservar músculos, ossos, cognição, autonomia e qualidade de vida. Ganhar um pouco de barriga na menopausa, por exemplo, é comum e há formas mais saudáveis de lidar com isso do que recorrer a métodos que promovem magreza exagerada e rápida.
A chamada “barriga de menopausa” afeta mais de 60% das mulheres nessa faixa etária. As alterações hormonais típicas fazem com que a gordura se acumule no abdômen, em vez de quadris e coxas, mudando o formato corporal de “pêra” para “maçã”. Além disso, o climatério, período anterior à menopausa, pode trazer sintomas como aumento do apetite, sono ruim, mudanças de humor e ansiedade, que contribuem para o ganho de peso.
“Muitas mulheres chegam ao consultório falando sobre peso. Mas, quando começamos a investigar… descobrimos que o problema quase nunca era só a balança. Era o sono ruim há anos. Era a exaustão constante. Era o cortisol alto. Era a insulina desregulada. Era o corpo funcionando em modo sobrevivência”, explica o especialista.
Além do impacto estético e na autoestima, a gordura visceral, armazenada entre órgãos e tecidos, aumenta o risco de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. Para evitar ou reverter a “barriga de menopausa”, o Dr. Luiz Augusto recomenda: consultar um médico sobre a necessidade de reposição hormonal, que pode reduzir o acúmulo de gordura visceral e manter a massa magra; praticar atividades físicas, combinando cardio com musculação; cuidar da alimentação, priorizando alimentos in natura e minimamente processados, limitando ultraprocessados e açúcar, e dando atenção às proteínas para manter a massa magra; e ter uma boa rotina de sono, pois o cortisol, hormônio do estresse crônico, piora o acúmulo de gordura abdominal.
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