Caso expôs fragilidades na proteção infantil e levou à expansão dos conselhos tutelares, mas unidade prometida pelo governo ainda não saiu do papel
Três anos depois do assassinato de Sophia Ocampo, de 2 anos e 7 meses, pela mãe e pelo padrasto em Campo Grande, o Centro Especializado de Atendimento à Criança e ao Adolescente continua sem construção. O caso evidenciou deficiências na rede de proteção à infância e gerou comoção em Mato Grosso do Sul.
Atualmente, o projeto do centro especializado está sob análise da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul) e passa por ajustes na Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
De acordo com a Sejusp, a unidade será erguida em frente à Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, em uma área de 5.952 metros quadrados composta por 13 terrenos doados pela União ao Estado em 2024. O investimento estimado é de R$ 10 milhões.
A criação do centro foi uma das promessas feitas pelo poder público após a morte da criança.
O caso também impulsionou o debate sobre o número de conselhos tutelares na capital. A legislação determina uma unidade para cada 100 mil habitantes. Segundo o último censo do IBGE, Campo Grande deveria contar com nove conselhos tutelares e 45 conselheiros.
Em 2023, uma eleição aumentou o quadro de conselheiros de 25 para 40. No mesmo ano, o município autorizou a criação de três novos conselhos tutelares, totalizando oito unidades.
Sophia foi atendida mais de 30 vezes na mesma unidade de saúde, sempre com indícios de violência. Em 26 de janeiro de 2023, ela deu entrada sem vida na UPA do Bairro Coronel Antonino.
Conforme a Polícia Civil, a criança apresentava múltiplos hematomas pelo corpo. Stephanie de Jesus da Silva e Christian Campoçano Leitheim, mãe e padrasto da menina, foram detidos.
O anúncio da criação do centro especializado ocorreu em março de 2023. O espaço foi planejado para operar junto à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), com funcionamento 24 horas, em frente à Casa da Mulher Brasileira.
Passados três anos, o terreno permanece vazio.
Em agosto de 2025, o secretário de Justiça e Segurança Pública, Carlos Videira, afirmou que a obra seria finalizada em 2026. Contudo, até o momento, não há data para o início da construção.
A mãe de Sophia, Stephanie de Jesus, e o padrasto, Christian Campoçano Leitheim, foram condenados a 52 anos de prisão. Christian recebeu pena de 32 anos por homicídio triplamente qualificado e estupro de vulnerável. Stephanie foi condenada a 20 anos por homicídio qualificado e homicídio doloso por omissão.
O júri acolheu todas as teses apresentadas pelo Ministério Público e pela acusação.
Com informacoes de g1ms.









