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‘Hoje celebro minha vida’: paciente terminal organiza festa de despedida com música, cerveja e alegria em Campo Grande

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Com câncer de estômago incurável, Tiago Pitthan juntou amigos, parentes e até desconhecidos para viver sua própria homenagem. Entre canções, relatos e gestos de afeto, a festa foi um chamado para refletir sobre a existência, não sobre o fim.

Tiago Martins Pitthan, de 49 anos, juntou conhecidos em Campo Grande para festejar seu próprio funeral em vida, depois de saber que tem um câncer de estômago sem chance de cura.

A inspiração veio do enterro do pai, em agosto de 2024, e o evento atraiu até pessoas de longe, como um casal que veio de João Pessoa especialmente para a ocasião.

Sabendo da doença após o réveillon de 2023, Tiago usou roupas alegres e afirmou: “Eu vou morrer uma vez só. O resto do tempo eu estou vivendo.”

Petrópolis, música e muito carinho. Com discos enfeitando o local, amigos juntos e um anfitrião trajado para festejar sua própria trajetória, o funeral em vida de Tiago Martins Pitthan, de 49 anos, foi tudo menos uma despedida triste. Confira o vídeo acima.

Na capital sul-mato-grossense, os apertos foram demorados, os sorrisos verdadeiros e as lágrimas traziam carinho, não dor. Diagnosticado com câncer de estômago sem possibilidade de cura, Tiago optou por juntar as pessoas que ama para festejar a vida enquanto ainda pode compartilhar cada aperto, cada relato e cada tributo.

‘Hoje é dia de festejar a vida’

Pouca gente acorda pensando no próprio enterro. Tiago acordou.

“Foi curioso, porque a gente normalmente não acorda pensando: ‘opa, hoje é o dia do meu enterro’. Essa sensação é muito doida”, disse ao g1 antes de a festa começar.

Mas a palavra “enterro” não descreve exatamente o que houve no antigo galpão de uma cervejaria, em Campo Grande. O local foi ocupado por flores, música e gente disposta a festejar a jornada de um homem que se negou a ser marcado pelo câncer.

“Hoje não é um adeus. Hoje é dia de festejar a vida. Apesar de o nome ser enterro, não se trata de morte. É uma festa sobre a vida, sobre curtir a vida, sobre viver.”

A ideia surgiu da falta de alguém

O estímulo para o evento veio em agosto de 2024, no enterro do pai. Tiago recorda que a cerimônia foi linda. Amigos contavam casos, riam e dividiam recordações. Mas algo o chamou a atenção.

“Ninguém conhece mais meu pai do que ele mesmo. Faltou ele ali.”

Naquele instante, tomou uma decisão. “Naquele instante eu decidi que não ia faltar no meu enterro.”

A ideia começou como um encontro pequeno entre amigos próximos. Com a repercussão da história, contudo, a festa ganhou tamanhos muito maiores.

‘Não vou faltar no meu’: homem com câncer incurável organiza festa para o próprio enterro (em vida)

Uma história que cruzou o país

Entre os convidados estavam a servidora pública Lícia Freitas, de 43 anos, e o servidor público Ramon Santos, de 56 anos. O casal viajou de João Pessoa, na Paraíba, para Campo Grande apenas para participar da festa.

Eles conheceram Tiago por meio de matérias veiculadas na imprensa nacional e resolveram fazer a viagem depois de se identificarem com a história.

“Me emocionou bastante a história dele e ver como ele encara a vida encurtada”, contou Lícia.

A identificação tem um motivo pessoal. O pai dela faleceu após lutar contra o mesmo tipo de câncer.

“Meu pai, assim como ele, teve muita coragem, muita resiliência e aceitou a morte como consequência da vida. Em nenhum momento se queixou.”

Para Ramon, o principal ensinamento deixado por Tiago é não deixar que o medo imobilize a vida.

“Ele é um sujeito admirável e não deixou a proximidade da morte imobilizar a vida.”

O diagnóstico que transformou tudo

A história começou no réveillon de 2023 para 2024, em Bonito. Durante a ceia, Tiago notou que não conseguia comer normalmente. Depois de meses de exames, recebeu o diagnóstico de adenocarcinoma gástrico, um tipo de câncer de estômago.

A expectativa inicial era de cirurgia. No entanto, os médicos descobriram que a doença já havia se espalhado para outras partes do corpo.

“Eu descobri que não tinha cura. Que teria de conviver com aquilo; provavelmente, morrer daquilo.”

Mesmo assim, ele optou por encarar a situação de uma forma diferente.

“Quando recebi o diagnóstico, foi até um alívio. Eu sabia quem era o inimigo. E decidi: eu tenho câncer, mas o câncer não me tem.”

‘Eu não estou morrendo’

Ao longo da tarde, Tiago repetiu várias vezes a mensagem que queria deixar para os convidados.

“As pessoas me perguntam como é estar morrendo. E eu só tenho uma resposta para dar: eu não estou morrendo, eu estou vivendo.”

Segundo ele, a doença é apenas uma parte da história. “Eu vou morrer uma vez só. O resto do tempo eu estou vivendo.”

Com uma roupa colorida escolhida especialmente para a ocasião, ele circulou entre os convidados, recebeu apertos, ouviu relatos e participou das apresentações musicais.

Antes de voltar para a festa, resumiu em poucas palavras o que esperava daquele dia.

“Eu quero abraçar e ser abraçado. Eu quero receber carinho, dar carinho. Eu quero rir. Eu quero chorar de emoção.”

E foi exatamente isso que aconteceu. Porque, nesse sábado, em Campo Grande, o homenageado não estava sendo velado. Estava vivendo.

Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

Com informacoes de g1ms.

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