A diversidade e a força das vozes femininas marcaram a abertura da 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (5ª CNPM), realizada nesta segunda-feira (29), em Brasília. Com o lema “Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas”, o evento reuniu cerca de 4 mil participantes de diferentes regiões, realidades e movimentos sociais, que levaram suas demandas e propostas para fortalecer políticas públicas voltadas às mulheres.
Durante a cerimônia, microfones foram abertos para representantes da sociedade civil expressarem suas lutas e reivindicações. Entre os destaques, estiveram pautas urgentes relacionadas à igualdade racial, direitos reprodutivos, participação política, saúde, demarcação de terras e visibilidade LGBTQIA+.
A coordenadora executiva do Fórum Nacional de Mulheres e representante da Marcha das Mulheres Negras, Clátia Vieira, anunciou a 2ª Marcha Nacional de Mulheres Negras para o dia 25 de novembro — Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres.
Ela cobrou práticas antirracistas e políticas públicas efetivas para mulheres negras, que representam a maioria da população brasileira.
“Precisamos de práticas antirracistas. Isso é para ontem e urgente, é pela vida das mulheres negras, das mulheres. Mas, sobretudo, é pela vida do povo preto”, afirmou.
Representando o Conselho Nacional de Direitos da Mulher (CNDM), Iyá Sandrali Bueno destacou a importância da interseccionalidade como princípio civilizatório da conferência:
“Não há democracia possível sem a centralidade das mulheres negras. A interseccionalidade não é um enfeite no regimento interno, é nosso princípio maior.”
A representante da Marcha das Margaridas, Melissa Vieira, celebrou o retorno da conferência após quase uma década e ressaltou o papel fundamental das mulheres do campo, das águas e das florestas para garantir alimentação saudável e tirar o Brasil novamente do Mapa da Fome da ONU.
“Somos nós, mulheres de saberes ancestrais, que alimentam o Brasil com comida de verdade, com alimento saudável, com agroecologia. Somos nós quem temos a potência de transformar luto em luta”, declarou.
Já a liderança indígena Josy Kaigang lembrou que a conferência é resultado das lutas de mulheres dos sete biomas brasileiros. Ela defendeu que os povos originários sejam ouvidos na formulação de políticas públicas e reforçou a luta pela demarcação de terras indígenas e quilombolas.
“Seguimos lutando para que mais mulheres indígenas sigam ‘aldeando’ o Estado e a política. Lugar de mulher é onde ela quiser”, afirmou.
A travesti Bruna Benevides cobrou a ocupação de 50% de mulheres nos parlamentos, além de cotas trans em concursos e universidades, direito ao aborto legal e seguro e medidas firmes contra a exploração infantil.
“Estamos aqui, e não arredaremos o pé. Defendemos justiça econômica, reprodutiva, racial e climática como pilares do Estado”, afirmou.
Representando a Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de São Paulo, Janaína Farias denunciou a ausência de políticas públicas específicas para a saúde de mulheres lésbicas e bissexuais, mesmo diante de dados preocupantes.
“Precisamos de políticas públicas de saúde que fomentem a ida a médicos e a busca por cuidado em saúde por nós. Nossas vidas não cabem em armários”, declarou.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, lembrou que 2026 será um ano eleitoral e reforçou a importância do voto consciente:
“Em vários espaços, as mulheres são aviltadas em seus direitos. No ano que vem, vamos votar em mulheres e homens que tenham compromisso com a vida de todas as mulheres desse país.”
Ao final da abertura da conferência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva homenageou mulheres de diferentes gerações e destacou a importância da presença feminina na construção de um Brasil mais justo e igualitário.
“O futuro da humanidade é feminino”, afirmou Lula, sendo aplaudido pelas milhares de mulheres presentes no auditório.











